2004-08-30  23:07  Carlos Freitas
 

Carta aos Bispos: polémica (x)


A "redacção de Morais Sarmento"
sobre a igualdade


O Diário de Notícias (DN) publicou em 24 deste mês um artigo de opinião de João Miguel Tavares a propósito da Carta aos Bispos. O DN sublinhou a importância da opinião com um cartoon de 1/4 de página, caricaturando os Bispos da Igreja Católica, a propósito da Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo.

Salientamos os seguintes excertos (sublinhados nossos):

Sobre o que o articulista do DN designa por "redacção de Nuno Morais Sarmento", ver o artigo publicado recentemente no "Público" sob o título "O desafio da igualdade", com que o Ministro que tutela da Igualdade entrou no debate/polémica que Uns & Outras tem vindo a relatar em diversos posts deste blog.

Veja também posts anteriores de Uns & Outras sobre esta polémica.
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2004-08-29  17:30  Carlos Freitas
 

Os exemplos dos Partidos


Nenhuma mulher entre os 3 candidatos:
nada de igualdade, zero de paridade



Fotos do DN de José C. Carvalho, Paulo Spranger e Rodrigo Cabrita

O monopólio do masculinato continua, sete anos após os Constituintes terem atribuído (no artº 9º da Constituição) o estatuto de uma das tarefas fundamentais do Estado à promoção da igualdade entre homens e mulheres.

Nem uma única mulher entre os candidatos. Continua a abusiva discriminação das mulheres no acesso ao poder.

O conceito de igualdade e de paridade dos políticos portugueses é só para os discursos. " Mostra-me o que fazes, dir-te-ei quem és".

Veja também alguns dos posts anteriores.
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2004-08-20  19:34  Carlos Freitas
 

Carta aos Bispos: polémica (ix)


Uma ex-governante entra no debate


Maria do Céu Cunha Rego saiu das funções Secretária de Estado para a Igualdade, há cerca de dois anos. Embora não se referindo expressamente sobre a Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo, acaba agora de escrever no "Público" um artigo sobre "Igualdade de homens e mulheres". A coincidência no tempo e no tema não é certamente mero acaso.

Há duas décadas, um Presidente da CIP exclamou, perante as sucessivas intervenções de ex-ministros das Finanças com análises e receitas para as curas da crise económica de então, que "é cada vez mais fácil entender os ex-ministros e cada vez mais difícil compreender os ministros". Todos os ex-ministros falavam como se não tivessem sido responsáveis pelas políticas cujos resultados criticam, depois de terem deixado as funções governativas.

Também é extremamente fácil concordar com as posições agora expostas pela ex-Secretária de Estado para a Igualdade. Salientamos algumas (sublinhados nossos):

Ao ler o artigo da ex-Secretária de Estado para a Igualdade, muita gente se interroga que estratégias, políticas e resultados resultaram afinal da sua acção governativa, ocorrida anos depois de a Constituição ter considerado que a promoção da igualdade entre homens e mulheres é uma da tarefas fundamentais do Estado.

Como influenciou ela as políticas, programas e projectos dos outros ministros, no respeito pelo princípio do mainstreaming (avaliação a priori e a posteriori do impacto do gasto de fundos públicos na promoção da igualdade entre homens e mulheres)? Como influenciou a concepção do orçamento do Estado com base nos géneros? E a concepção das estatísticas sobre a desigualdade e a violência e a sua prevenção? E que mecanismos para a igualdade/paridade criou? Que metas e objectivos? Com que resultados contribuiu para o carácter essencial da democracia, no conceito do Conselho da Europa que cita?

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2004-08-16  18:58  Carlos Freitas
 

Carta aos Bispos: polémica (viii)


O Papa reforça a Carta aos Bispos
na peregrinação a Lourdes


Cerca de 300 mil pessoas assistiram à missa do Papa João Paulo II em Lourdes, duas semanas depois da divulgação da Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo e do início da polémica logo levantada.

O Papa retomou, sob outras palavras, temas explícitos ou implícitos da Carta aos Bispos. Salientamos (sublinhados nossos):

A mensagem é clara. A Igreja não muda os seus princípios básicos.

Veja também outros posts anteriores e posteriores
de Uns & Outras, sobre a polémica da Carta.
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2004-08-11  22:50  Carlos Freitas
 

Carta aos Bispos: polémica (vii)


O Papa e as mulheres
Opinião de A. Costa Pinto no DN


Com o ante-texto "A obsessão com o 'sexo' no discurso oficial da Igreja esconde a perda no terreno político", o DN publica hoje um artigo de António Costa Pinto cujos principais excertos sumarizamos (sublinhados nossos):


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2004-08-07  23:34  Carlos Freitas
 

Carta aos Bispos: polémica (vi)


DN entrevista Bispo de Aveiro


A jornalista Fernanda Câncio entrevistou o Bispo de Aveiro, que se alonga por página e meia do Diário de Notícias de 07-08-2004, uma semana depois da publicação da Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo.

O título da entrevista reproduz uma afirmação do entrevistado: "A carta põe a mulher no lugar próprio".

Ao longo de 24 perguntas cujo conteúdo e respostas dão um contributo importante para a análise da Carta aos Bispos e da polémica que à volta dela foi publicada, tem-se uma perspectiva de um Bispo da Igreja portuguesa. D. António Marcelino é vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesas e vogal da Pastoral da Família.

Dada a extensão da entrevista, Uns & Outras somente apresenta alguns excertos, incluindo as "frases" sublinhadas pela entrevistadora (sublinhados nossos):

Perante esta posição do Bispo de Aveiro sobre as capacidades da mulher, Fernanda Câncio diz-lhe: "a ser assim, ainda se compreende pior que as mulheres não possam ter lugares mais predominantes na Igreja. Porque se a Igreja é amor, se tem antes de mais de ser para outro, se os valores essenciais das mulheres são esses... Não lhe faz sentido?"

Ao que o ilustre entrevistado responde: "A pergunta faz sentido. A resposta é que seria demasiado longa... O amor não se exprime nisto e não naquilo. O amor exprime-se em tudo."

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Carta aos Bispos: polémica (i)


Visão de o "Público" (I)


Visão da jornalista Ana Cristina Pereira
Título: Vaticano ataca "feminismo radical" e reitera desigualdade de géneros
Ante-texto: Carta doutrinal diz que "a rivalidade entre sexos" tem os seus efeitos "mais imediatos e letais na estrutura familiar" tradicional.

Principais excertos (sublinhados nossos):

A jornalista Ana C. Pereira lembra que "ainda no ano passado, o Papa propôs que se pagasse um salário às donas de casa".

E fez auscultação de reacções à Carta aos Bispos. Asim:


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Carta aos Bispos: polémica (v)


Posição de El País:
As feministas acusam a Igreja
de 'incentivar a violência' machista


Logo no dia seguinte à publicação da Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo, o jornal El País (tendência socialista) publicou um artigo baseado na Agência EFE, sob o título acima indicado.

Excertos das principais afirmações do artigo (sublinhados nossos):


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Carta aos Bispos: polémica (iii)


"Católica e feminista, graças a Deus"
Posição do "Nós Somos Igreja"


Ana Vicente, com importante obra publicada sobre a igualdade de géneros e membro do Movimento Internacional "Nós Somos Igreja", foi a primeira católica a satisfazer a "curiosidade" que Maria José de Magalhães da UMAR manifestou ao Público (ver post abaixo)sobre como reagiriam, à Carta aos Bispos, os católicos que se têm empenhado na defesa da igualdade de oportunidades entre géneros.

Para melhor se entender o artigo de Ana Vicente, no Público de 04-08-2004, recomendamos que se leia, pelo menos, a página de Apresentação daquele Movimento.

Principais excertos do artigo (sublinhados nossos):


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Carta aos Bispos: polémica (ii)


Posição de o Público (II)
Editorial do Director


Dois dias após a divulgação da Carta aos Bispos, feita pelo Vaticano em 31-07-2004, o Director José Manuel Fernandes toma a posição constante do Editorial.

Título: A Coerência do Papa.
Ante-texto: João Paulo II faz a defesa da diferença da mulher e da feminilidade na carta que acaba de dirigir aos bispos católicos.

Principais afirmações (sublinhados nossos):

Consideramos muito interessante a comparação desta tomada de posição do Director do Público com o artigo da sua jornalista sobre a Carta aos Bispos.

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Carta aos Bispos: polémica (iv)


"Católica e feminista,
com a graça de Deus, eu também!"
Associação Mulheres em Acção

Alexandra Teté, membro da Associação Mulheres em Acção, foi a segunda católica a satisfazer a "curiosidade" que Maria José de Magalhães da UMAR manifestou no Público (ver post abaixo)sobre como reagiriam, à Carta aos Bispos, os católicos que se têm empenhado na defesa da igualdade de oportunidades entre géneros.
Para melhor se entender o artigo de Alexandra Teté, no Público de 06-08-2004, recomendamos que se leia, pelo menos, a página dos Princípios daquela Associação, bem como o artigo de Ana Vicente (ver post acima).

Principais excertos do artigo de Alexandra Teté (sublinhados nossos):


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2004-08-06  19:19  Carlos Freitas
 

Carta aos Bispos da Igreja Católica


sobre a Colaboração do Homem
e da Mulher na Igreja e no Mundo


Em 31 de Julho passado, o Vaticano divulgou a Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo.

Antes de tomar posição, é conveniente ler-se este documento que vai ter influência (acordo ou desacordo) sobre centenas de milhões de pessoas, em todo o Mundo. Uns & Outras sugere a leitura integral ou parcial usando o link acima. No mínimo, recomenda a leitura da "Introdução" e de "O Problema", ou seja das duas primeiras partes do documento que a seguir se transcrevem na versão em Português (sublinhados nossos):


INTRODUÇÃO
1
. Perita em humanidade, a Igreja está sempre interessada por tudo o que diz respeito ao homem e à mulher. Nestes últimos tempos, tem-se reflectido muito sobre a dignidade da mulher, sobre os seus direitos e deveres nos diversos âmbitos da comunidade civil e eclesial. Havendo contribuído para o aprofundamento desta temática fundamental, sobretudo com o ensinamento de João Paulo II, a Igreja sente-se hoje interpelada por algumas correntes de pensamento, cujas teses muitas vezes não coincidem com as finalidades genuínas da promoção da mulher.

O presente documento, depois de uma breve apresentação e apreciação crítica de certas concepções antropológicas hodiernas, entende propor algumas reflexões inspiradas pelos dados doutrinais da antropologia bíblica — aliás indispensáveis para a salvaguarda da identidade da pessoa humana — sobre alguns pressupostos em ordem a uma recta compreensão da colaboração activa do homem e da mulher na Igreja e no mundo, a partir dessa sua mesma diferença. Pretendem estas reflexões, ao mesmo tempo, propor-se como ponto de partida para um caminho de aprofundamento no seio da Igreja e para instaurar um diálogo com todos os homens e mulheres de boa vontade, na busca sincera da verdade e no esforço comum de promover relações cada vez mais autênticas.

I. O PROBLEMA
2. Nestes últimos anos têm-se delineado novas tendências na abordagem do tema da mulher.
Uma primeira tendência sublinha fortemente a condição de subordinação da mulher, procurando criar uma atitude de contestação. A mulher, para ser ela mesma, apresenta-se como antagónica do homem. Aos abusos de poder, responde com uma estratégia de busca do poder. Um tal processo leva a uma rivalidade entre os sexos, onde a identidade e o papel de um são assumidos em prejuízo do outro, com a consequência de introduzir na antropologia uma perniciosa confusão, que tem o seu revés mais imediato e nefasto na estrutura da família.
Uma segunda tendência emerge no sulco da primeira. Para evitar qualquer supremacia de um ou de outro sexo, tende-se a eliminar as suas diferenças, considerando-as simples efeitos de um condicionamento histórico-cultural. Neste nivelamento, a diferença corpórea, chamada sexo, é minimizada, ao passo que a dimensão estritamente cultural, chamada género, é sublinhada ao máximo e considerada primária. O obscurecimento da diferença ou dualidade dos sexos é grávido de enormes consequências a diversos níveis. Uma tal antropologia, que entendia favorecer perspectivas igualitárias para a mulher, libertando-a de todo o determinismo biológico, acabou de facto por inspirar ideologias que promovem, por exemplo, o questionamento da família, por sua índole natural bi-parental, ou seja, composta de pai e de mãe, a equiparação da homossexualidade à heterossexualidade, um novo modelo de sexualidade polimórfica.

3. A raiz imediata da sobredita tendência coloca-se no contexto da questão da mulher, mas a sua motivação mais profunda deve procurar-se na tentativa da pessoa humana de libertar-se dos próprios condicionamentos biológicos. De acordo com tal perspectiva antropológica, a natureza humana não teria em si mesma características que se imporiam de forma absoluta: cada pessoa poderia e deveria modelar-se a seu gosto, uma vez que estaria livre de toda a predeterminação ligada à sua constituição essencial.

Muitas são as consequências de uma tal perspectiva. Antes de mais, consolida-se a ideia de que a libertação da mulher comporta uma crítica à Sagrada Escritura, que transmitiria uma concepção patriarcal de Deus, alimentada por uma cultura essencialmente machista. Em segundo lugar, semelhante tendência consideraria sem importância e sem influência o facto de o Filho de Deus ter assumido a natureza humana na sua forma masculina.

4. Perante tais correntes de pensamento, a Igreja, iluminada pela fé em Jesus Cristo, fala ao invés de colaboração activa, precisamente no reconhecimento da própria diferença entre homem e mulher.
Para melhor compreender o fundamento, o sentido e as consequências desta resposta, convém voltar, ainda que brevemente, à Sagrada Escritura, que é rica também de sabedoria humana, e onde esta resposta se manifestou progressivamente, graças à intervenção de Deus em favor da humanidade.

Ler as restantes partes da Carta.

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