2004-06-24 19:00 Carlos Freitas
O escândalo da violência em Portugal
contra as mulheres, em 2003
299 queixas por agressões físicas
277 por agressões psíquicas,
segundo a APAV
Mais de metade das queixas feitas por menores de 17 anos à Associação de Apoio à Vítima são sobre a violência doméstica.
Os homens que maltratam as mulheres tendem a ser agressivos também para com os filhos, mesmo quando não lhes batem. Mas agridem-nos psicologicamente.
Geralmente os magistrados são mais sensíveis ao problema dos filhos das mulheres maltratadas do que aos das próprias mulheres.
As políticas e planos de luta contra a violência sobre as mulheres continuam grandemente ineficazes em Portugal. O escândalo destas ofensas aos direitos humanos básicos das mulheres não se resolvem só com leis. As boas práticas aplicadas oportuna e eficazmente são essenciais.
O quase silêncio do Governo, das ONGs em geral, dos opinion makers e dos media contrastam com a agenda política do novo governo que tem agitado a Espanha sobre estas questões.
Veja também alguns dos posts anteriores e posteriores a este.
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2004-06-15 19:36 Carlos Freitas
Eleições para o Parlamento Europeu
Espanha muito mais paritária
do que Portugal. Porquê?
Portugal tem direito a 24 lugares no Paralamento Europeu e Espanha 54 lugares.
Deputados eleitos na Península Ibérica pelos maiores Partidos:
- Socialistas espanhois (PSOE): 25 deputados
- 16 homens e 9 (36%) mulheres
- Socialistas portugueses (PS): 12 deputados
- 8 homens e 4 (33%) mulheres
- Populares espanhois (PP): 23 deputados
- 17 homens e 6 (26%) mulheres
- PSD-PP Portugal: 9 deputados
- 8 homens e 1 (11%) mulher
A direita e centro-direita em Portugal, com a agaravante de, estando no poder, deverem dar exemplo de cumprimento do direito das mulheres à não discriminação, foram o Partido que mais discriminou as mulheres e menor visibilidade política lhes deu nos próximos cinco anos da nova eurocâmara. E isto quando já estamos a cerca de um ano de Pequim+10.
Com tais práticas de partidos da coligação governamental portuguesa, que grau de credibilidade podem ter as suas políticas, planos e estratégias para a igualdade entre homens mulheres, em Portugal?
Acresce que desde há 7 anos a Constituição portuguesa impõe a implementação da igualdade entre mulheres e homens como uma das tarefas fundamentais do Estado.
Veja também alguns dos posts anteriores.
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2004-06-14 00:35 Carlos Freitas
Eleições para o Parlamento Europeu
Cartão vermelho aos Partidos
Quase 2 em cada 3 eleitores/as portugueses/as abstiveram-se de votar, mostrando um importante cartão vermelho aos Partidos.
Dos 24 deputados, 18 são homens e somente 6 (25%) são mulheres. Nos dois maiores partidos/coligações, as mulheres colocadas em lugares elegíveis são uma pequena e inaceitável minoria: 33% no PS e somente 11% no PSD-PP.
Com excepção do PCP, nenhum Partido escolheu uma mulher para cabeça de lista.
Os Partidos portugueses continuam a discriminar abusivamente as mulheres, atentando escandalosamente contra os seus direitos humanos.
Com tais Partidos, nada de bom há a esperar da convergência para as sociedades mais paritárias. Os movimentos das mulheres portuguesas só ganham em mudar para estratégias mais activas.
A dominação política do masculinato lusitano está condenada à extinção, sob a força do voto poderoso das mulheres e da acção mais eficaz das estrategas paritárias.
Veja Resultados e Editorial.
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2004-06-06 14:52 Carlos Freitas
Ensinar a Igualdade de géneros
desde a infantil à Faculdade
Em Espanha.
Quando em Portugal?
Em Espanha, com a política do novo governo, os alunos vão aprender a resolver conflitos, no ensino infantil. No ensino primário e secundário recebem educação sobre a importância da Igualdade entre homens e mulheres. No Ensino superior, recebem educação sobre a análise crítica da desigualdade.
A educação sobre a Igualdade será também incluída no ensino de adultos.
Para que esta reforma educativa seja possível, serão alteradas todas as leis sobre educação, em vigor. O Ensino da Igualdade terá carácter transversal, ou seja, os respectivos conteúdos serão introduzidos em alguns temas de Língua, História e Ambiente/Envolvente. Será também incluído na Cadeira de Ética no ensino secundário, que passará a designar-se por Ética e Igualdade entre Homens e Mulheres. Esta cadeira será de frequência obrigatória e sujeita a avaliação.
Em cada Conselho Escolar (composto por pais, alunos e professores) será designada uma pessoa responsável por impulsionar iniciativas relativas à igualdade de géneros.
Por sua vez, o Conselho Escolar do Estado terá representantes de:
- Instituto de la Mujer;
- das ONGs de Mulheres;
- uma pessoa de reconhecido prestígio em temas relacionados com com a erradicação da violência sobre a Mulher
Ao Conselho Nacional Escolar compete, além do mais:
- produzir um Relatório anual sobre o estado da educação espanhola;
- informação sobre a existência ou não de microviolência entre estudantes, entre alunos e professores ou nas famílias;
- informação sobre os livros de texto, em particular quanto ao seu contributo para o fomento da igualdade
Uns & Outras considera que uma tal reforma é incompleta se não incluir também, no mecanismo igualitário, a política cultural, bem como da política em relação aos media públicos e os subsídios e incentivos fiscais aos restantes media e às empresas públicas e privadas.
Veja também alguns dos posts anteriores.
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2004-06-05 18:19 Carlos Freitas
Pacote do Governo espanhol
contra a violência doméstica
Medidas sociais, penais,
educativas e laborais
Poucas semanas após tomar posse, o Governo de Zapatero acaba de aprovar um anteprojecto de lei contra a violência sobre as mulheres, com um pacote importante de medidas. Salientamos algumas:
- penas mais duras para os agressores: dois a cinco anos;
- tratamento de reabilitação do agressores, na prisão;
- maior protecção e ajuda para as vítimas; as trabalhadoras que tenham de abandonar o seu emprego por motivo de violência, receberão subsídio;
- ameaça e coacção leves poderão implicar até cinco anos de impedimento do exercício de poder paternal;
- a ameaça ou a acoacção leves à esposa ou companheira, actual ou anterior, converte-se em delito punido com prisão de 6 meses a um ano ou de trabalhos em benefício da comunidade de 31 a 80 dias;
- medidas preventivas: educação desde a infância;
- direito das vítimas a assistência social integral: serviços de atenção, de emergência, de apoio e de recuperação, defesa e representação gratuitas por advogado, em caso de carência de recursos
- o poder judicial disporá de órgão especiualizados na violência sobre as mulheres;
- etc..
No anteprojecto intervieram sete ministérios. Com ele, cumpriu-se a promessa eleitoral de Zapatero de que a lei contra a violência doméstica seria a primeira lei que o Governo enviaria ao Parlamento.
Zapatero e os seus estrategas sabem que o peso do voto das mulheres é cada vez maior.
Está prevista a aprovação como projecto de lei no próximo dia 25, depois de:
- debate comm as comunidades autonómicas
- debate com as organizações de mulheres que serão recebidas pelo próprio Zapatero na próxima semana.
A futura lei cria a Delegação do Governo contra a Violência sobre a Mulher, junto dp Ministério do Trabalho e dos Assuntos Sociais, com o objectivo de formular, coordenar e impulsionar as políticas públicas relativas a este fenómeno. Este organismo terá poderes para intervir junto dos juízes, em casos de violência doméstica.
O Observatório Nacional da Violência sobre a Mulher terá por missão:
- assessorar, avaliar e coordenar as diversas instituições;
- elaborar informações, relatórios e estudos;
- propor actuações relativas à violência sobre a Mulher;
- redigir um relatório anual sobre a real evolução deste problema.
A nova norma modificará 11 leis e a sua aplicação custará entre 50 e 80 milhões de euros por ano.
Veja também alguns dos posts anteriores.
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2004-06-04 19:13 Carlos Freitas
Pouca confiança das Espanholas nas autoridades
que as devem proteger contra a violência
60% das espanholas mostram
ter pouca ou nenhuma confiança.
E que dizem as portuguesas?
Numa recente sondagem (Abril 2004), sobre o que crêem as espanholas sobre a confiança que a Mulher que denuncia maus tratos por parte do seu companheiro pode ter quanto à confiança que lhes inspiram as autoridades, as respostas são importantes:
- 5% mostraram ter muita confiança;
- 27% mostraram ter bastante confiança;
- 47,4% mostraram ter pouca confiança;
- 12% mostraram nenhuma confiança;
- 9% não sabem ou não responderam
Entre as leis e os discursos por um lado e a realidade por outro vai uma grande distância. Nos mecanismos contra a violência sobre a Mulher, boas leis são fundamentais, mas outros instrumentos são também essenciais.
Zapatero e os seus estrategas conheciam as sondagens e, conscientes da importância cada vez mais decisiva dos votos das mulheres, logo aproveitaram para prometer que a primeira lei que apresentariam, se ganhassem as eleições, era uma lei que levasse à revolução de toda a sociedade contra esta praga da violência doméstica. E, pelo menos formalmente, o novo Governo está a cumprir a promessa.
Compete às mulheres e aos homens de boa vontade estarem atentos aos resultados reais que vão ser conseguidos.
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